Prefácio
Quem não duvidaria ao ouvir um homem afirmar que passou
um fim de semana inteiro com Deus e, ainda mais, em uma cabana?
Principalmente naquela cabana.
Conheço Mack há pouco mais de 20 anos, desde o dia em que
nós dois fomos à casa de um vizinho para ajudá-lo a embalar feno
para suas poucas vacas. A partir de então a gente se encontra
compartilhando um café — ou, para mim, um chá tailandês
superquente, com soja. Nossas conversas nos dão um prazer
profundo e são sempre salpicadas de muito riso e de vez em quando
de uma ou duas lágrimas. Francamente, quanto mais velhos ficamos,
mais a gente se dá bem, se é que você me entende.
O nome completo dele é Mackenzie Allen Phillips, mas a maioria
das pessoas o chama de Allen.
É uma tradição de família: todos os homens têm o primeiro
nome igual, mas são conhecidos pelo nome do meio, provavelmente
para evitar a ostentação do I, II e III ou Júnior e Sênior. Assim, ele, o
avô, o pai e agora o filho mais velho têm o nome de Mackenzie, mas
só Nan, a mulher dele, e os amigos íntimos o chamam de Mack.
Ele nasceu em uma fazenda do Meio-Oeste, numa família
irlandesa-americana de mãos calejadas e regras rigorosas. Ainda que
aparentemente religioso e exageradamente rígido, seu pai bebia
muito, sobretudo quando a chuva não vinha ou quando vinha cedo
demais, e quase sempre entre uma coisa e outra. Mack nunca fala
muito sobre o pai, mas quando O menciona a emoção abandona seu
rosto, como se fosse uma maré vazante, deixando seus olhos
sombrios e sem vida.